Sabemos que foi nessa época que muitos dos assuntos ao qual estamos envolvidos assíduamente agora no século XXI tiveram suas raízes fortificadas, como a religião, ética e comércio.
No Egito havia cerca de 2.000 deuses, mas os dessa história foram escolhidos para participarem entrelaçando todas as suas histórias por um bem maior - a questão de poder sobre o mundo e suas respectivas missões na terra.
Tendo conflitos de interesse no desenrolar da história, a produção, que em partes é genérica, também mostra profundidade.
O filme tem muitas animações - algumas vezes houveram brincadeiras de quem assistiu, dizendo que estavam simplórias. Mas eu achei bem ok, a minha retina continua da mesma forma, eu vi uma história sendo mostrada.
☯ O existir de vários deuses coloca em pauta o quanto é necessário bifurcar uma questão. Certo X errado, amigo X inimigo. Dizer que um ato bondoso e generosidade são o necessário para ter o seu pós vida garantido é inconsequente.
Atores
Os atores tem grande presença na história. São bem expressivos, suas "caras" fazem com que nós entendamos tanto a cena, quanto a personalidade do personagem.O ator Chadwick Boseman no papel de Thot gerou repercussão dizendo que faltaram negros no elenco, devido ao fato de ser uma produção no Egito, um lugar de sol escaldante. (A produção deixa bem claro que as caracterizações do Egito não são o seu foco, Horus é caracterizado parecendo um personagem de Metal Gear.)
A atuação do ator foi criticada em seu desempenho, mas eu achei que até mesmo na parte onde ele aconselha Horus dizendo que o escolhido ainda não está pronto, fazendo caretas exageradas (esse é o motivo da crítica, dizem que ficou forçado demais): para mim, pode ser interpretada como uma característica própria do personagem que ele animou.
Por falar nisso, a incapacidade de um rei sendo posta à prova é muito interessante, no sentido de que há outra chance para os que não estão prontos, mesmo que tudo "esteja perdido".
Há um recomeço para tudo, é o que o filme mostra. Quem disse onde está o fim?
Set, o irmão "malvado" interpretado por Gerard Butler (300), aparece emanando vontade de poder com uma aura assassina.
Depois, por incrível que pareça, eu senti que ele falou de modo doce e suave com o engenheiro que trabalhava para ele, por exemplo. Ele poderia ter falado algo como "Seu incompetente, irei te castigar por todas as vezes que errou de maneira tola, irei cortar sua cabeça e te deixar vivo" - no entanto, ele apenas perguntou "como você fez as armadilhas?".
Também disse falas lógicas, tirando aquele aspecto de apenas vilão ~irracional~: "se ele conseguiu sabotar seu plano, ele foi mais esperto que você".
Humor
Eu, sinceramente, achei que o filme tem humor. Em questões existenciais, como por exemplo, um: "achei que pudéssemos ficar juntos", "não, nada pode me completar". Eu ri nessa parte.
Não deixe me verem sendo boazinha, tenho que manter minha má reputação."
A Halthor, deusa do amor interpretada por Élodie Yung, surpreende. Parecia bem genérica e depois mostrou suas dualidades entre amar e não amar, sua fidelidade ao Horus e sua sabedoria de passar por cima de si mesma para fazer o que é "justo".
Quando a deusa do amor olha para alguém, esse alguém se apaixona e a obedece, porém, se já estiver apaixonado, não se sente afetado".
O rapazinho Bek (mas que nome infantil para um filme de guerra divina, rs) interpretado por Brenton Thwaites representa a força humana em comparação aos deuses, o "nunca desistir" e a determinação para se completar o que é incompletável.
Inclusive, no final do filme, há uma pergunta que o deus da sabedoria deve responder:
Eu nunca fui, nem nunca serei. Ninguém nunca me vê, nem nunca verá. Eu sou a certeza de todos os que vivem e respiram. Quem sou eu?"
A resposta para isso é ambígua, indo de possibilidades desde o mistério, ordem, vida, acaso. Mas a resposta certa é o amanhã. Quem diria que o amanhã seria uma certeza para os seres viventes, se o fato de estar vivo já te sentencia a ser morto.
Roteiro
Temos um típico hollywoodiano - com pontos bons e um pequeno ruim. No começo nós beiramos achar que o filme é "mais do mesmo", logo em seguida, do meio para o final, ele mostra sua identidade. Nesse início, nós vemos pirraça, joguinhos de sedução: e após, entendemos os motivos dessas atitudes.O filme tem uma conotação de exaltar o amor. Pode fazer isso até de modo "brega", mas não é como se estivesse mentindo sobre a realidade. O amor é assim mesmo, faz concessões, idealiza, perdoa, trai.
Conforme a ideia proposta nessa produção passa, para se ter algo, devemos dar outra coisa em troca.
A vida é uma relação de troca entre o sujeito e o que ele interage.
Acho que, para um filme egípcio antigo, houveram valores cristões colocados afim de conquistar a maioria do público. O filme se torna genérico nesse quesito, quando tentam deixar algo vago e comum exposto, sem dar chances às oportunidades de uma criatividade maior que compreendesse o tema politeísmo.
No Egito, não precisamos de ouro para fazer a passagem rumo à outra vida, mas sim de atos generosos e bondade".
O politeísmo em si, de acordo com o livro de Raven Kaldera, "Teologia prática politeísta", assume que o assunto de deidades está acima do bem e do mal e de escolhas, ações e aspectos rivalizadores.
É claro, devemos ser generosos. No aspecto de você saber quem você é, quem você ama, quem gostaria de ajudar e completar o outro completando a si mesmo. Quem não se sente cheio de vida com isso? Porém, tal condição é mais um tema entre tantos outros variados que abordam a vida, deixando claro que é apenas uma parte de um todo maior.
Resultado
Para quem se interessa pelos temas deuses e Egito, pode ser uma escolha que entretenha. Sabemos que no quesito fidedignidade, um documentário explora melhor os fatos, correto? A produção aqui romantiza personagens e ideias (as deixando no padrão de filmes famosos) - se você tem familiaridade com civilizações antigas, ou ficará ofendido, ou irá se sentir em casa.Nota:
⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ★ - 4/5
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