Como é a vida nos circos? – Kafka, O artista da fome

Franz Kafka é um artista que escreve bem, de forma simples, fácil de entender. Tem frases diretas e suas ideias são claras. É um escritor antigo, reconhecido pelo seu estilo observador.

Seu livro "O artista da fome" fala sobre circenses de uma maneira breve. Aqui, coloco trechos da obra, comentando. Quem foi esquecido? Quem faz o trabalho mais perigoso? Qual o resumo final do livro? Veja a seguir.

 


O artista da fome

Nesse conto é retratado um artista que entretém o público através de sua desvantagem. A condição humana de achar amigável o que é desprevalecido é posta aqui, sem rodeios. Ele ficava o tempo todo com fome, não foi visto comendo. Seria como uma reviravolta de novela caso o artista com ossos bem visíveis das costelas comesse um hambúrguer
Mas ele não o fazia, disse que nunca encontrou uma comida que o agradasse. Ele disse para que não admirem-no, pois ele passava fome sem nenhum esforço.

 
Capa do livro


"Nas últimas décadas, o interesse pelos artistas da fome diminuiu bastante. Enquanto antes era um bom negócio organizar grandes apresentações do tipo por conta própria, hoje em dia é totalmente impossível."

Os tempos eram outros. Naquela época antiga a cidade inteira se ocupava com o artista da fome. Era reconhecido, até esquecerem-no, até ele morrer de fome. Então, colocaram uma pantera na jaula em que ele ficava.

A cada dia de jejum o público aumentava. Todos queriam ver o artista da fome pelo menos uma vez por dia."
 
Com o passar do tempo, esqueceram-no. Focaram em outra moda.

 
O artista da fome não se incomodava com a luz forte, nem com o fato de estarem olhando-o o tempo todo. Ele sentava em cima de uma palha, fazia gracejos, contava histórias de sua vida e ouvia as do público."
 
A pantera 🐆 substituta comia tudo o que lhe davam, ela gostava tanto que parecia não dar falta da sua liberdade tirada. Com seu ar nobre, ela parecia portar a própria liberdade dentro de si. Essa é a parte que considero mais bonita! Até os que estão presos tem a liberdade dentro de si, caso contrário não saberiam o que é estar preso - porque para se estar preso, deve-se conhecer o que é liberdade
  

Fonte: IgorSuassuna - Pixabay


Trapezistas

Os trapezistas tem a profissão mais difícil e perigosa na execução dentro do circo tradicional.

 
Tudo era silêncio. Às vezes um empregado, vagueando à tarde pelo teatro vazio, contemplava pensativo aquela altura, onde o trapezista sem notar que era observado, exercitava-se em sua arte ou descansava."
 
O livro mostra algumas dificuldades sobre a profissão, o esforço que o atleta faz para poder realizar movimentos tão dinâmicos, e o que é abdicado na sua rotina: passa o dia sozinho lá em cima do trapézio, treina bastante.

 
"Os deslocamentos eram muito penosos aos nervos do trapezista."
 
Isso acontece devido ao fato de que em longas viagens, caso o passageiro não tenha espaço para ficar de pé e se mover, os músculos usados para ficar na posição sentada ficam contraídos, o que pode gerar dor. O sangue nutre os músculos, e ficar na mesma posição por muito tempo afeta a circulação.

Fonte: Sephelonor - Pixabay

O lado bom do circo é conhecer vários lugares. A rotina é entreter e mudar de lugar para se apresentar, conhecer pessoas novas, ver as diferentes reações que o público irá demonstrar te olhando. O lado negativo é a distância de casa, de estar perto de entes queridos, e algumas vezes ser pressionado pelos chefes do circo.

Livro Kafka - O artista da fome

Os críticos do livro de Kafka dizem que ele escreveu esse livro à beira da morte, isolado de tudo e de todos, e que acabou gerando um espetáculo que "interessa a ninguém". 
O livro pula entre descrições, as quais o autor escolhe de acordo com suas preferências. Ele divaga sobre o que quer ressaltar nos artistas do circo. Uma das opniões explícitas de Franz Kafka se encontra nessa parte:

 
Não há quem não fique deslumbrado com o canto dela - o que é um fato ainda mais admirável, porque, em geral, nossa espécie não aprecia música".
 
O conteúdo é curto, com 34 páginas. É de rápida leitura, e um registro histórico. O "não apreciar música" é uma frase vinda de um escritor do final dos anos 1800 e começo de 1900. É entendível, né?

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